Com bikes elétricas e scooters, retomada da micromobilidade em São Paulo impulsiona trajetos mais curtos

Depois do boom dos patinetes de alguns anos atrás, a capital paulista dá uma nova chance aos veículos elétricos de curta distância, principalmente e-bikes e scooters. Na retomada das atividades presenciais, milhares de paulistanos vêm optando por morar mais perto do trabalho ou da escola dos filhos e, assim, reduzirem o tempo perdido em congestionamentos e o custo com transporte e combustível.

Depois do boom dos patinetes de alguns anos atrás, a capital paulista dá uma nova chance aos veículos elétricos de curta distância, principalmente e-bikes e scooters. 

O futuro da mobilidade urbana é elétrico. De um lado, a  prefeitura de São Paulo lançou em junho um programa de compartilhamento de bicicletas elétricas em parceria com a Tembici, fornecedora do programa Bike Itaú. De outro, há aqueles que recorrem às scooters, conhecidas como motos elétricas ou motonetas, presenças frequentes nas ruas e até mesmo em ciclovias, como a da Avenida Brigadeiro Faria Lima. A oferta desses equipamentos elétricos aponta para a retomada de um movimento urbano que ganhou força no Brasil em 2019: a micromobilidade. 

A preferência por esses veículos, conhecidos como micro transportes, está relacionada a uma nova forma de se viver a cidade, muito influenciada pelas mudanças de comportamento geradas na pandemia. Na retomada das atividades presenciais, milhares de paulistanos vêm optando por morar mais perto do trabalho ou da escola dos filhos e, assim, reduzirem o tempo perdido em congestionamentos e o custo com transporte e combustível. 

Somado a isso, há a preocupação cada vez maior com o meio ambiente. O transporte representa 23% das emissões globais de gases de efeito estufa e metade das emissões globais de óxidos de nitrogênio, que causam a poluição do ar. Essas emissões estão concentradas nas cidades — que respondem por dois terços da demanda mundial de energia e 70% das emissões globais de carbono. 

Reduzir os deslocamentos é um ponto fundamental dessa equação. A priorização de um deslocamento mais ágil e limpo em trajetos diários mais curtos ocupa um espaço importante no futuro da cidade, que já está sendo posto em prática.  

O lado elétrico da micromobilidade

Esse fenômeno global de encurtar distâncias e percorrê-las com equipamentos leves e fáceis de usar responde pelo nome de micromobilidade. O termo se consolidou há cerca de cinco anos para designar o transporte mínimo necessário para que cada um realize suas tarefas diárias com rapidez e comodidade. Os veículos da micromobilidade são caracterizados por desempenharem velocidades baixas e disporem de tecnologia de dados, muitas vezes sendo usados de maneira compartilhada. Também são procurados como alternativa para vencer a última milha, aquele percurso entre a residência e o sistema de transporte público, como estações de trem ou metrô e terminais de ônibus.

Dados da Plataforma Micromobilidade Brasil.org, desenvolvida pelo Laboratório de Mobilidade Sustentável (LABMOB), da UFRJ, indicam que 26 cidades brasileiras dispõem de 53 sistemas de micromobilidade em operação, evitando a emissão de 2.989 toneladas de carbono com 107 milhões de quilômetros percorridos.

Apesar desses números, a atuação dos micro transportes é repleta de dúvidas, pois ainda não existe uma regulamentação nacional para veículos elétricos de pequeno porte, como bicicletas e patinetes. Também é importante ressaltar o caráter acessório da micromobilidade, ou seja, sua atuação complementar no grande quadro da mobilidade urbana. Isso porque o deslocamento dentro da cidade vai além dos transportes, ela se estende à infraestrutura, distribuição do território e condições de deslocamento, áreas normalmente problemáticas dos centros urbanos.

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