Enquanto as dívidas dos brasileiros aumentam, o pagamento delas só diminui. Essa combinação explosiva entre o aumento do endividamento e o crescimento da inadimplência vem tirando o sono de economistas e de milhões de famílias que se encontram nessa situação nesta reta final de 2022. Dados do Instituto Brasileiro de Economia ligado à Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) e divulgados logo após as eleições indicam que os estímulos fiscais e monetários concedidos durante a pandemia começam a cobrar seu preço, ao mesmo tempo em que ocorre uma redução da atividade econômica e da oferta de emprego no país.
Naquela época, a Selic estava em sua baixa histórica, de 2%, motivando os bancos a oferecer linhas de crédito mais arriscadas e com maior retorno. De lá para cá, muita coisa mudou, a começar pela própria Selic, que chega ao final deste ano sob uma projeção de 13,75%. Esse aumento de juros tem como efeito pressionar o nível de endividamento para cima. Em julho deste ano, quando foi divulgado o mais recente dado do Sistema Central de Riscos (SCR) do Banco Central, eram quase R$ 3 trilhões da carteira de crédito destinados à pessoa física.
Dívidas por CPF
Com grande volume de pagamentos em atraso, bancos públicos e privados passaram a destinar fatias maiores de suas receitas para combater potenciais calotes, impactando seus lucros. Enquanto Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil (BB) e Santander registraram, somados, alta nos lucros de 7,6% de julho a setembro deste ano em relação ao ano anterior, a retaguarda do grupo para bancar a inadimplência subiu 60,5% no mesmo período. Em números absolutos, foram R$ 24,784 bilhões em lucro e R$ 26 bilhões em provisões para devedores duvidosos (PDD).
Todos eles reconhecem que as dívidas estão concentradas em pessoas físicas, embora sempre haja risco de que aos poucos atinjam pequenas e médias empresas e, na esteira da deterioração, comprometa as companhias de maior porte. Por enquanto, a preocupação é estancar a sangria junto aos CPFs, que também são a parcela mais significativa entre os compradores de imóveis. O crivo mais rigoroso na liberação do crédito vem fazendo com que milhões de brasileiros tenham na locação a única alternativa de moradia disponível.
Incorporadoras que optarem por não colocar todo o estoque à venda, mas que buscam uma redução no custo de carregamento, têm na locação sua principal aliada. A lógica de recorrer à locação como alternativa frente à vulnerabilidade econômica do país tem se consolidado como a melhor estratégia tanto dos investidores imobiliários quanto dos players do setor.
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