Com restrições do programa Casa Verde e Amarela, locação é alternativa para garantir habitação a quem mais precisa

Cortes no programa federal Casa Verde e Amarela trazem dificuldade para incorporadoras que atuam no segmento e colocam locação como importante porta de entrada para o mercado formal

Não é de hoje que o programa Casa Verde e Amarela vem passando por um processo de desidratação, agora agravado pela queda do poder de compra de seu público alvo, cada vez mais endividado e lidando com altos índices de inadimplência e inflação. Com total previsto de R$82,3 milhões, o orçamento deste ano do programa representa um recuo de 95% em relação ao montante de R$1,2 bilhão do ano passado. 

Como resultado, a iniciativa sofrerá uma baixa na construção de cerca de 140 mil casas populares, além de não atender famílias que ganham menos de R$1.800 mensais e já não teriam condições de contratar um financiamento imobiliário, medida implantada nos últimos dois anos.

Moradia acessível pressionada

Nem mesmo as mudanças anunciadas para o programa federal Casa Verde e Amarela conseguiram dar maior fôlego às incorporadoras que atuam na modalidade. O prazo de financiamento subiu de 30 para 35 anos, mas a maioria dos brasileiros que pleiteiam o financiamento imobiliário da Caixa Econômica Federal continua sendo barrado. Na prática, o aumento do prazo está sendo oferecido apenas aos 20% que melhor pontuaram na avaliação do banco, indicam analistas.

Outra mudança ainda de baixo impacto é a aprovação do FGTS futuro, pela qual o valor mensal do depósito pode ser usado para pagar o financiamento. Aprovada em outubro pelo  Conselho Curador do FGTS, ela beneficia apenas as famílias com renda de até R$2.400 e imóveis da faixa 1 do Casa Verde e Amarela, grupo que está fora do raio de atuação das incorporadoras de capital aberto.

Diante desse cenário, a locação se apresenta como uma alternativa para garantir habitação acessível a quem mais precisa. Desde o ano passado a Yuca disponibiliza unidades residenciais para locação dentro do programa de Habitação de Interesse Social, criado pelo Ministério das Cidades em 2005. O objetivo da empresa é oferecer a quem mais precisa uma porta de entrada para o mercado imobiliário formal a partir de imóveis bem localizados, gerando mais qualidade de vida e combatendo a desigualdade social. A Yuca oferece ainda soluções para incorporadoras que estão com alta nos estoques e buscam agilizar a venda ou rentabilizá-los junto a investidores, contribuindo para cidades mais dinâmicas e fluidas para todos. 

Os efeitos da quarentena no superendividamento e inadimplência

A vulnerabilidade econômica que o Brasil atravessa se mostra ainda maior nas camadas mais pobres da população. O grupo costuma demandar produtos de crédito sem garantias e, portanto, com custos maiores. De janeiro de 2020 a julho deste ano, a expansão das linhas de crédito sem garantia foi de 64,5%, enquanto os produtos com garantia (crédito consignado, imobiliário, agrícola e automotivo) cresceram 40%. O destaque vai para as duas linhas mais caras disponíveis no país: endividamento em cartão de crédito, que aumentou 68,5%, e o empréstimo pessoal sem garantias, com alta de 131%. O resultado é o superendividamento e a disparada da inadimplência na faixa que ganha até dois salários mínimos. 

Olhando em retrospecto, as dívidas verificadas hoje têm origem na quarentena imposta pela Covid-19 e no fechamento dos serviços de onde vinha o sustento das camadas de menor renda. Embora o auxílio emergencial tenha ajudado de forma pontual, a descontinuidade da medida gerou mais insegurança e até momentos de privação para essas pessoas, segundo análise do Centro de Política Monetária do FGV Ibre. 

Ocorre que, naquele momento, o cenário de juros era bem diferente do atual. A alta da Selic, que avançou de 2% em 2020 para 13,75% neste ano, fez com que as famílias perdessem a capacidade de postergar o pagamento das dívidas, aumentando a inadimplência. Olhando um pouco mais adiante no horizonte, esses dois fatores devem gerar um encarecimento ainda maior do crédito disponível, complicando ainda mais a situação de quem já está endividado.

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