Quem se perguntava até que ponto os aluguéis iriam continuar subindo teve a resposta algumas semanas atrás. Maio foi o primeiro mês de uma longa sequência em que o principal índice usado para reajustar o preço das locações desacelerou. O Índice Geral de Preços – Mercado, ou apenas IGP-M, medido pela Fundação Getúlio Vargas, ficou em 0,52% no mês passado. O número fica bem atrás do 1,14% de alta registrado em abril. No acumulado dos últimos doze meses, já são 10,72% – mas poderia ser ainda mais. Até o mês passado, o acumulado era de 14,66%. Ou seja, houve uma redução no ritmo de crescimento e a expectativa é de que se mantenha assim.
Outro índice importante das variações de preço das locações apresentou resultados semelhantes. O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais, ou simplesmente IVAR, havia crescido 0,82% em abril, mas em maio atingiu apenas 0,59%. Já são 8,83% acumulados em 12 meses, o maior patamar desde janeiro de 2019 quando foi iniciada a série histórica.
A metodologia do IVAR é bem diferente da usada para calcular o IGP-M, como já explicamos num outro post. Enquanto o IGM-P considera uma cesta de preços que vão desde o diesel a matérias-primas usadas na produção agrícola, e por isso é mais sensível ao câmbio e a flutuação de produtos de atacado, o IVAR olha só o aluguel. A medição, que também é feita pela FGV, é baseada em uma amostragem de contratos existentes sob sigilo para trazer o que de fato está sendo negociado em cada localidade. Esse cálculo é especialmente útil em momentos como o atual, em que a alta do IGP-M desencoraja proprietários a exigir a reposição total pelo índice. Em vez disso, passam a aceitar correções menores, em torno de 10%, como forma de manter os locatários e evitar a vacância dos imóveis.
Estabilização dos preços dá novo gás ao mercado
A perspectiva de desaceleração tanto do IGP-M quanto do IVAR é explicada pela acomodação de preços e pela estabilização da demanda por novos contratos. Em entrevista ao Valor, o economista Paulo Pichetti, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) Brasil do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), reforçou que o começo de ano costuma ser um período de maior procura por imóveis.
Mas, neste ano, esse movimento foi ainda mais intenso, já que muita gente retomou o trabalho e o estudo presenciais e por isso preferiu estar mais perto do escritório, da escola ou da universidade, optando por uma locação para organizar o dia a dia com mais praticidade. A estabilização de preços de agora traz segurança também para quem está querendo assumir novos contratos de locação, mantendo o segmento aquecido.
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